Povo Tapajônico – A Sofisticação da Cerâmica Arqueológica da Amazônia
A nossa viagem pelas riquezas e saberes ancestrais do Estúdio Joá faz uma parada obrigatória em um dos capítulos mais fascinantes da história da Amazônia. Hoje, vamos mergulhar na herança do Povo Tapajônico (também conhecidos como índios Tapajós). Ao contrário dos povos que conhecemos anteriormente, a arte tapajônica chega até nós através da arqueologia, revelando que a floresta já abrigava civilizações complexas, populosas e incrivelmente sofisticadas muito antes da chegada dos colonizadores.
Foto: Gustavo Miranda, 2014 / Fonte: Agencia O Globo
Onde Ficaram Situados?
O povo Tapajônico habitava a vasta região da foz do Rio Tapajós, onde suas águas esverdeadas encontram o gigante Rio Amazonas. O núcleo principal dessa cultura ficava localizado onde hoje se ergue a cidade de Santarém, no oeste do estado do Pará.
Eles ocupavam esse território entre os séculos X e XVII. Relatos de cronistas europeus do século XVI descreviam os Tapajós como uma grande e poderosa nação, com vilas formadas por milhares de habitantes, agricultura desenvolvida e uma rede de comércio impressionante que interligava diferentes pontos da Amazônia.
Ilustração: Estúdio Joá / Criada via Inteligência Artificial
A Arte Tapajônica: Esculturas Antropomorfas e Cerâmica Cerimonial
A cerâmica produzida pelo povo Tapajônico é considerada por antropólogos e historiadores como uma das artes pré-colombianas mais complexas e sofisticadas de todas as Américas. Moldadas com argila fina misturada com cauixi (uma esponja de água doce que dava resistência ao barro), suas peças são verdadeiras esculturas tridimensionais, ricas em detalhes e simbolismos que habitavam o universo místico e ritualístico desse povo.
No acervo curado pelo Estúdio Joá, essas peças trazem uma estética rica, expressiva e escultural para a decoração contemporânea.
Os Bonecos Tapajônicos (Estatuetas Antropomorfas)
Essas pequenas figuras humanas em argila são o ápice da expressão dramática e ritualística dos Tapajós. Geralmente ocas e com olhos em formato de grão de café, elas representam homens e mulheres em posições corporais muito específicas, que intrigam pesquisadores até hoje:
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Mão na Boca / Pé na Boca: Figuras sentadas ou agachadas que levam as mãos ou os pés em direção à boca, sugerindo posturas de meditação, transe xamânico, ou rituais de sopro e cura.
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Braços Cruzados: Estatuetas com os braços cruzados sobre os joelhos ou sobre o peito, transmitindo uma sensação de solenidade, repouso ou reverência aos ancestrais.
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As Figuras de Falo (Representações Fálicas): Esculturas que destacam o falo masculino, intimamente ligadas a rituais de fertilidade, continuidade da vida e celebração da força vital da floresta e da comunidade.
Foto: Estúdio Joá
As Tigelas Cerimoniais
Diferente dos potes de uso diário, as tigelas cerimoniais eram usadas em banquetes ritualísticos e celebrações sagradas. Elas possuem formato de bacia rasa ou profunda, mas o grande diferencial está nas bordas: são ricamente adornadas com pequenos apliques tridimensionais esculpidos (rostos humanos estilizados, lagartos, sapos e aves), fazendo com que o objeto utilitário se transforme em uma moldura de histórias sagradas.
Foto: Estúdio Joá
Os Vasos Cariátides e Gargalo
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Vasos Cariátides: Estruturas complexas cujo bojo principal do vaso é sustentado por pequenas figuras humanas ou seres mitológicos sentados (as "cariátides"). São cercados de cabeças de animais (como o urubu-rei e felinos) que parecem brotar da peça.
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Vasos Gargalo: Peças de bojo esférico com um gargalo estreito, quase sempre cercadas por representações de animais da fauna amazônica que parecem "abraçar" ou proteger a boca do vaso. São peças onde o relevo e o jogo de luz e sombra ditam a beleza da obra.
Curiosidades e Peculiaridades: Os Ídolos de Pedra e os Muiraquitãs
Embora a cerâmica seja o grande destaque, o povo Tapajônico era mestre na escultura de pedras verdes (como a nefrita e o jade). Eles são os criadores originais dos famosos Muiraquitãs.
O Muiraquitã é um amuleto esculpido em pedra verde, geralmente no formato de um sapo ou rã. Para os Tapajós, esses objetos carregavam um poder espiritual gigantesco. Eram usados como símbolos de status, proteção e cura, e passados de geração em geração. Existem lendas amazônicas belíssimas que dizem que os muiraquitãs eram moldados pelas "Iamiabas" (mulheres guerreiras, conhecidas como Amazonas) no fundo de lagos sagrados à luz da lua, entregando-os como presentes aos homens.
O Estúdio Joá e o Resgate da Memória Tapajônica
Trazer uma peça inspirada na arte tapajônica para o seu ambiente é fazer um resgate histórico necessário. É reconhecer a Amazônia como um berço de alta cultura, arte refinada e engenharia ancestral desde os tempos arqueológicos. No Estúdio Joá, celebramos essa herança para que a história desses grandes mestres do barro nunca seja esquecida.
Referências de Pesquisa:
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Gomes, Denise Maria Cavalcante. A realeza da cerâmica arqueológica de Santarém. USP / Museu de Arqueologia e Etnologia.
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Museu Paraense Emílio Goeldi. Exposições e Arquivos Digitais sobre as Culturas Marajoara e Tapajônica.
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Barreto, Cristiana. Meios de Expressão na Cerâmica Tapajônica: Estatuetas e Vasos.
